
3 maneiras de conhecer alguém
°°°Chuva de verão (o estranho do guarda-chuva)
narradora: sem nome.
Estava meio frio naquela tarde, apesar de ser verão. Seb me ligou
e me pediu para encontrá-lo no parque porque precisava convrsar com
alguém. Nada melhor do que passar a tarde ao lado do seu melhor amigo.
Ele só queria me contar uns problemas familiares pequenos e depois
foi embora bem mais calmo. Caminhei um pouco, cumprimentando as
pessoas, bem humoradas por sinal e então tomei o caminho para casa.
Cada minuto passava devagar e o frio ia aumentando. Digamos que eu
não estava apropriadamente bem agasalhada... uma calça jeans, uma
blusinha e uma camisa sobreposta. Tudo embaixo de um sobretudo meio
pardo que uma costureira amiga de minha mãe havia me dado de presente
na primavera e sem esquecer do meu querido all star preto, todo riscado
por canetas azuis. Mesmo asim, a brisa gelada tocava meu rosto e
me causava tremedeiras.
Faltavam algumas quadras e o tempo estava fechando. 'Não pode chover
agora!' Uns garotinhos, aparentemente dóceis, passaram de bicicleta,
quase me atropelando e quase matando um pobre gatinho branco que fugia
de uma casa azul. E o vento, 'ah! O maldito vento!', que antes era só
uma brisa, passou a embaraçar e acabar com o meu cabelo. Não podia
ser pior... ou melhor dizendo, podia sim. As queridas e fofas nuvens
se juntaram e a água desabou. 'Pronto, agora estou pronta para o próximo
castigo, aliás, o que foi que eu aprontei?'
Mas eis que recebo uma recompensa or tudo isso: um garoto muito
bonito começou a andar ao meu lado.
- Quer uma carona?
O que eu poderia pensar? Ou ele estava sendo muito irônico [¬¬'] ou
tinha segundas intenções. Tanto faz... acabei de conhecer e estava
tendo um pingo de gentileza, sem contar que seus olhos verdes me fisgaram
completamente.
- Não é muita ironia? Digo... uma carona no guarda-chuva?
- Depende do seu ponto de vista, mas você está... er... ensopada!
Em meio aos risos, eu encontrei um pouco de compreensão e de verdade
naquela conversa. A pena é que chegamos muito rápido à minha casa
e, infelizmente, o convite da carona não pôde se estender.
Nos despedimos na porta de casa e quando tranquei a porta, a chuva
parou...
°°°A sala do diretor (inspirado no filme "segundas intenções II")
narrador: Pat
Depois de aprontar muito e tirar onda até com a foto do zelador
(que ficou inusitadamente incrível na internet) vim parar numa escola
nova. Aqui eu não tenho toda aquela popularidade de "o garoto intruso,
portador da câmera mais reveladora do planeta" e por isso dei uma
mudada no histórico escolar. Mentira. Eu não consegui fazer isso, mas
com a conversa que eu vou ter agora com o diretor, tenho certeza de
que ele vai me ver como um anjo.
A sala de espera é bem bonita e dá para observar todo o gramado
dessa janela. Até o sofá me encantou, macio... 'dá pra trazer uma
garota aqui!'
Estava eu olhando pro teto, quand alguém abriu a porta. Era uma
garota de cabelos castanhos que ficava muito, muito bem naquele
uniforme. Ela se sentou no sofá... cada um numa ponta.
- Vai passar para um papinho com o diretor?
- É... eu sou novato... alguma dica pra eu naõ me dar mal?
- Não... eu conheço bem o cara... só tem que ser franco...
A minha vontade era estrear naquela escola com chave de ouro.
- Desculpa, eu nem me apresentei... meu nome é Cristy...
- Muito prazer, eu sou o Patrick...
- Nervoso?
- Ah, não... me disseram que ele é atrapalhado e um pouco imbecil...
Ela riu e o diretor apareceu me pedindo para entrar. Eu me sentei
e vi as plaquinhas... "Sr. Jhon Malkovich - diretor" e a mesa toda
bagunçada. Disse coisas que o interessou, como o último livro que li
de verdade e o que eu só vi as figuras. Conversa vai, conversa vem, ele
gostou de seu mais novo aluno. Assim que abriu a porta, virou-se
para Cristy e disse:
- Filha! O que foi? Algum problema?
- Não pai, está tudo ótimo, não é Patrick?
Ela era filha do diretor e estava se contendo para não rir. Eu, sem
reação e morrendo de vergonha por tê-lo mencionado como imbecil, somente
respondi:
- É... é sim!
°°°Roda gigante (sufocando na fila)
narradora: a garota do all star rosa.
Mais 15 minutos nessa fila e eu saio correndo pro carrinho de algodão
doce. O parque fica lotado no dia dos namorados e as atrações românticas
como a roda gigante e o túnel do amor ficam hiper disputados. Só estou
esperando aqui porque meu namorado Jeff insistiu. Ele é tão atencioso que
eu não resisto ao que ele pede.
- Vai demorar muito?
- Calma, amor... a fila está andando.
Alguns passos depois, nós paramos de novo, pra esperar. Jeff ficava
me abraçado e conversando com os garotos e eu tomava meu refrigerante. Dava
pra reparar nos casaizinhos lá em cima. 'Aquele não é o Joel?' É sim...
vi quando eles desceram. A fila andou mais um pouco e era nossa vez,
finalmente.
- Ei! Moça... não pode entrar com o refrigerante!
A voz não me era familiar,mas era linda. Olhei bem pra saber de quem era
e vi no uniforme: Ryan.
- Ops... !
Joguei a latinha num cetinho de lixo ali do lado e não conseguia tirar
os olhos do garoto. Ainda bem que todos enrolaram pra sair e entrar do
brinquedo, eu pude observá-lo um pouco mais, além dele ter me ajudado
com aquele banquinho sem graça.
- Obrigada!
Eu agradeci, mantendo o sorriso que ele pregou no meu rosto e a
roda começou a funcionar. Eu estava feliz com o Jeff, ele era um garoto
e tanto, mas o tal Ryan tinha algo diferente que me chamou a atenção.
'Ele fica tão pequeno daqui de cima' Eu sorria sem motivos aparentes.
Saímos dali. O garoto me ajudou a descer e me devolveu o sorriso. Jeff me
deu um beijo e completou:
- Feliz dia dos namorados, meu amor!
- Feliz dia dos namorados... Jeff... posso te pedir uma coisa?
- Tudo o que você quiser!
- Então... vamos na roda gigante de novo?
:: Postado por
°°° Li °°°
às
23h21
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